UMA DROGA CHAMADA CELULAR

Droga é qualquer substância, natural ou sintética, capaz de provocar modificação no funcionamento do organismo, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento. No entanto, este conceito necessita ser atualizado para o contexto atual em que vivemos.

O Brasil possui mais de 230 milhões de celulares, ou seja, cada habitante possui mais de um equipamento. Eu próprio já tive a oportunidade de conhecer pessoas que possuíam três telefones celulares…

De fato, o celular não é uma substância, seja natural, seja sintética; mas é capaz de produzir mudanças no comportamento das pessoas. As pessoas se tornaram dependentes do celular, a ponto de não conseguirem dar sentido à sua vida, sem este equipamento.

Por óbvio que é fantástico ter num único equipamento telefone, GPS, agenda, calculadora, TV, gravador e toda a internet à disposição; porém, para muitos, o equipamento não é utilizado em sua totalidade, mas tão somente para conversas no WhatsApp®.

As pessoas digitam enquanto dirigem, digitam enquanto caminham, digitam no meio de uma reunião, digitam enquanto estão na praia, digitam enquanto assistem um filme, digitam enquanto estão na igreja e, digitam até mesmo quando estão num bar ou restaurante com os amigos. Fico curioso para saber se estas mesmas pessoas também digitam enquanto fazem sexo…

Mais engraçado é ver a crise de abstinência, quando os dependentes ficam sem o celular, durante um pequeno período de tempo. Quando têm acesso ao equipamento, eles começam a digitar de forma enlouquecida, sem ver nada o que acontece à sua volta, parecendo um filme em alta velocidade. Há inclusive uma fobia dos tempos modernos, a nomofobia, que é o medo de ficar incomunicável, sem acesso ao celular.

Outro sério problema causado pelo celular é a “Síndrome do Pescoço de Texto”, também conhecida como “Text Neck”, é resultado da má postura ao usar celular de modo excessivo. A má postura é oriunda da flexão da cabeça para baixo, na direção do queixo, impondo peso sobre toda a coluna, com a consequente dor no pescoço, tensão muscular e rigidez. É preciso esclarecer que a cabeça pesa aproximadamente 5kg, porém quando inclinada para frente, chega a quase 30 kg. Em situações crônicas, pode ocorrer uma compressão dos discos intervertebrais da coluna cervical.

Curioso é como a geração “Y” faz uso do celular: trancados no quarto, com a luz apagada. Os pais chegam a até confundi-los com depressivos, mas na realidade eles enfrentam outra patologia. Os relacionamentos existem somente no meio virtual, quando um jovem vai conhecer outro pessoalmente, há um visível desconforto e falta de familiaridade com o relacionamento presencial.

As crianças estão tão afastadas do mundo real que não sabem de onde vem o leite, como é um pé de jaca, como é empinar uma pipa ou como é pescar. É preciso dar um passo para trás e, mostrar a eles que existe um mundo além do virtual. Não estou falando em fazer as atuais crianças voltarem aos carrinhos de rolemã (ou rolimã), mas ler um livro é algo imprescindível na infância, com também interagir com outras crianças em brincadeiras de pega-pega ou esconde-esconde.

Recordo ainda que com o mesmo rolamento que eram feito os carrinhos (para diversão), alguns mais empreendedores construíam carrinhos para carregar as compras numa feira. No começo de uma feira livre sempre havia vários garotos com seus carrinhos oferecendo serviço de carregamento das compras o que rendia alguns trocados. A atividade era positiva no sentido de introduzir os jovens ao empreendedorismo e despertar o gosto pelo trabalho. Mas atualmente as próprias autoridades não querem que os jovens trabalhem cedo.

Finalmente, a questão não é proibir o uso, mesmo porque nos dias atuais é impossível viver sem um celular; mas é preciso cultivar uma relação mais saudável entre o celular e a vida real. O equilíbrio é a chave do sucesso. Os pais desde cedo devem estimular a criança a ler um livro, a brincar com outras crianças, a ir ao clube, a ter contato com a natureza e tantas outras atividades deixadas de lado por conta da tecnologia. É preciso dosar, e muito bem dosado, o tempo dispensado com o celular e o tempo utilizado com outras atividades. No entanto, os pais também precisam dar exemplo e, também deixar o celular de lado quando estão em família.

 

Publicado por

Engenheiro de Segurança do Trabalho, MSc e Diretor na Vendrame Consultoria em Segurança, Saúde e Meio Ambiente.

veja mais

COVID 19 DEVE CONSTAR NO PPRA?

COVID 19 DEVE CONSTAR NO PPRA?

Temos recebido constantemente questionamento das empresas acerca da inserção no PPRA, na seção do risco biológico, do SARS-CoV-2, causador da atual pandemia...

Confira