GLOBALIZAÇÃO E TRADICIONALISMO

O Spotify® faliu as gravadoras. O Netflix® acabou com as vídeo locadoras. O Booking® quase exterminou com as agências de turismo. O Google® enterrou as páginas amarelas, Listel e as enciclopédias. O Trivago® deu uma sacodida nos hotéis e, mostrou quem manda no pedaço. O Whatsapp® prejudicou fortemente as empresas de telefonia. A Uber® bateu de frente com os taxistas e, ganhou. A OLX® acabou com os classificados de jornal. O Smartphone® fez sumir as máquinas fotográficas e revelação de fotografias. O email fez os Correios repensarem sua atividade. O Waze® acabou com o GPS. Os bancos digitais transformaram o sistema bancário tradicional. A nuvem extinguiu o uso do pen drive. O Youtube® está substituindo com maestria a TV.

E você, está esperando o que para repensar o seu negócio? Grandes empresas do passado, a exemplo da Kodak, Fuji, Olivetti, Xerox, Blockbuster, Atari, Yahoo, Hitachi, Polaroid, e Toshiba, mesmo sendo gigantes, sucumbiram frente às inovações do mercado e a falta de um planejamento estratégico de longo prazo.

Outro aspecto que as empresas não têm observado é a globalização. Evitar a globalização é só procrastinar algo inevitável de acontecer. Não adianta se fechar no seu mundo e achar que o mercado está garantido. Por melhor que seja o seu produto, fatalmente ele estará ameaçado pelo mercado do outro lado do planeta. Foi o que aconteceu com a indústria calçadista do Vale do Sinos no Rio Grande do Sul, que apesar de seu excelente produto foi engolida pelos calçados chineses. É claro que ainda há sobrevivência de algumas indústrias dada a excelência de sua produção e a busca de um mercado específico que paga mais caro por qualidade.

Por outro lado, a proteção do mercado interno não deve se confundir com o ostracismo comercial. Há limites para a proteção do mercado interno frente à concorrência. E novamente advertimos, se manter numa bolha de plástico, não garante sobrevivência por muito tempo. Não adianta enviar promotores para o supermercado para “conscientizar” o público a consumir os produtos locais. As grandes marcas investem pesadamente em propaganda em todas as mídias possíveis e imagináveis, possuindo uma capilaridade bem superior. Será que uma lojinha da comunidade consegue concorrer com a Amazon®?

Empreender uma guerra contra o grande concorrente pode não resultar em muita coisa, inobstante o esforço que foi despendido, vide a “briga” entre a Dolly e a Coca Cola. O slogan “brasileiro não tem medo de estrangeiro” não fez com que a Dolly se tornasse líder de mercado.

Da mesma forma, é quase inevitável que as indústrias queiram fidelizar seus fornecedores de forma regional. O preço oferecido pela concorrência global impede qualquer fidelização. Assim, a globalização funciona como uma corrente do bem em que todos ganham.

Há poucos dias ouvi que regiões devem manter suas tradições em detrimento ao desenvolvimento, o que se trata de erro primário. A manutenção das tradições não pode ser empecilho ao desenvolvimento de uma comunidade, cidade, estado ou país. As tradições são importantes, devem ser cultivadas e respeitadas, mas o progresso virá de forma implacável, queiram ou não, os tradicionalistas.

Ainda se encontram locais que vendem navalhas, mas a lâmina de barbear é muito mais fácil de encontrar e, por mais que se queira fazer barba com navalha, um dia não haverá mais quem queira comercializá-las. É exatamente o que aconteceu com o filme fotográfico. No começo houve uma resistência e alguns ainda queriam manter suas câmeras convencionais com filme; no entanto, chegou a hora em que não havia quem os revelasse.

Não dá para ser passional neste momento. É preciso objetividade e autocrítica… Veja o SBT que sempre se conformou em ser a segunda emissora mais vista do país. Talvez se a Gurgel fosse uma fabricante de autopeças, ao invés de montadora, estaria presente no mercado brasileiro, mas o sonho de seu dono, pode ter inviabilizado os negócios.

E para terminar este artigo lhe pergunto: O que você preferiria, ser um parceiro de negócios da JBS® ou montar seu próprio frigorífico? Ser um distribuidor da Petrobras® ou tentar prospectar petróleo? Ser um fornecedor da Ambev® ou fabricar sua própria cerveja? Como dizia um amigo: é melhor comer um pedaço de pizza de muçarela do que a pizza inteira de capim…

Se realmente você estiver disposto a concorrer com os grandes, esteja preparado e pense como grande, mas este é um outro assunto e será objeto de um novo artigo.

 

Publicado por

Engenheiro de Segurança do Trabalho, MSc e Diretor na Vendrame Consultoria em Segurança, Saúde e Meio Ambiente.

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